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Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola
Literatura Angolana


Tradição Oral
Desde o início dos tempos e até a descoberta da escrita a transmissão da história, mitos, lendas, contos, provérbios, enigmas e poemas era passado de geração em geração através de relatos orais.

Nascimento da Literatura Angolana
O início da literatura que se escreve em Angola ocorreu durante a fase de colonização, período durante o qual a nossa literatura nasceu e desenvolveu-se como extensão da Portuguesa. Até meados do século 20 não há períodos claros e definidos de uma literatura própria Angolana.

1901 marca o ano da publicação do primeiro orgão indígena de caracter inteiramente literário, o Almanach - Ensaios Literários. O almanaque era impresso em Luanda na 'Tipografia do Povo'. Da primeira edição fez parte o volume Voz de Angola Clamando no Deserto — Oferecida aos Amigos da Verdade pelos Naturais, obra fruto da colaboração de vários jornalistas indígenas e Africanos que influenciaram a imprensa de Luanda no século 19. Há a realçar que esta foi a primeira manifestação colectiva de protesto da sociedade indígena contra a colonização Portuguesa.

Em 1934 foi publicado o livro O segredo da Morta de António de Assis Júnior. Anos mais tarde, este livro haveria de considerado a obra iniciadora da prosa de ficção Angolana.

O período de afirmação: 1944-1974
A partir de 1945 começa a nascer uma consciência cultural, ligada a nacionalização, que busca adicionar um novo valor ao conto popular. Em 1948 lançou-se em Luanda um movimento denominado "Vamos conhecer Angola" que incentivava a jovem geração da elite literária Angolana à descobrir o país em todos os seus aspectos.

Em 1949 foi publicado no Brasil o romance Terra Morta de Castro Soromenho. Esta obra relata os efeitos da colonização Portuguesa sobre Angola.

A década de 1950 define a clara existência de uma elite literária indígena composta de ensaístas, poetas e escritores. Estes contornaram a repressão exercida sobre a imprensa e definiram a futura literatura nacional. Com algumas excepções, este período marca também o cultivo da poesia em detrimento da prosa e da narração e ainda a expansão da indústria editorial.

Em 1951 começam a ser publicados revistas e jornais de liceu nos quais se podem ler os primeiros ensaios de escritores e poetas Angolanos. Sobre os autores nacionais se denotam fortes influências de correntes neo-realistas da literatura, cinema e pintura em voga a seguir a 2a guerra mundial.

Clássicos da
Literatura Angolana
 A Geraçăo da Utopia - romance de Pepetela.
 Havemos de Voltar - poema de A. Agostinho Neto.
 Jaime Bunda, agente secreto - policial de Pepetela.
 Mayombe - romance de Pepetela.
 O Ano do Căo - romance de Roderick Nehone.
 Quem Me Dera Ser Onda - prosa de Manuel Rui Monteiro.
 Sobreviver em Tarrafal de Santiago - poesia de António Jacinto.
 Terra Morta - romance de Castro Soromenho.

Autores Premiados
Internacionalmente

 Agostinho Neto (1922 - 1979): Prémio Lotus da Associaçăo dos Escritores Afro-Asiáticos (1970).
 António Jacinto (1924 - 1991): Prémio Noma, Prémio Lotus da Associaçăo dos Escritores Afro-Asiáticos (1979).
 José E. Agualusa (1960 - ): Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças (2002).
 Óscar Ribas (1909 - 2004): Prémio Margaret Wrong (1952), Prémio Monsenhor Alves da Cunha (1964).
 Pepetela (1941 - ): Prémio Camões (1997).

A publicação em 1952 da obra Ecos da minha terra do narrador Óscar Ribas, estabelece-o como o fundador da ficção literária moderna Angolana.

Em 1953 é compilado o Caderno de Poesia Negra de Expressão Portuguesa, a primeira antologia do género na qual são incluídos três poetas angolanos: A. Agostinho Neto, António Jacinto e Viriato da Cruz.

Em 1956 foi publicado o volume Poesia do ensaísta Mário António.

Nos anos 1960, talvez como consequência do anseio pela independência, volta a reaparecer na cena literária a preferência pela narração. Esta tendência continuou até meados dos anos 1970.

Em resumo, as obras do período de afirmação literária tiveram na sua maioria carácter de denuncia e forte apelo nacionalista e/ou conotação política.

Pós-independência: 1975 à 1990
O período imediatamente a seguir a independência foi marcado por euforias patrióticas nas quais alguns escritores inspiraram-se na realidade do conflito da guerra cívil, enquanto que outros se decidaram a fazer uso da imaginação para criarem literatura de ficção. A década de 1970 terminou sem publicações de realce.

A geração dos anos 1980 ficou conhecida como "A Geração das Incertezas", devido as circunstâncias político-socias e pela prespectiva de um futuro incerto para os Angolanos. Mas foi nesta época que foram publicadas algumas das obras mais populares: Mayombe, Quem Me Dera Ser Onda, Sagrada Esperança e Yaka.

Nos anos 1980 desenvolveu-se também a literatura infantil, com ênfase nos géneros crónica e narrativa.

Literatura Moderna
O final do século 20 revelou novos talentos e a contínua consagração de autores já veteranos no meio literário. As obras contemporâneas são caraterizadas por liberdades linguísticas, inventividades poéticas e renovações temáticas.

Em 2001 faz-se história na literatura Angolana com a publicação da primeira obra no género policial - Jaime Bunda, agente secreto de Pepetela.

Com esta adição os géneros literários cultivados em Angola são:

  • Literatura infantil,
  • Fábulas,
  • Poesia,
  • Policial,
  • Ficção histórica,
  • Sagas,
  • Romances,
  • Narrativa oral e
  • Romances históricos.